O setor que mais gera emprego no Brasil em 2020:

Mesmo com a incerteza na economia e o alto índice de desemprego, o mercado de trabalho está em recuperação e traz oportunidades. Em especial, setores como saúde, tecnologia e agronegócio

Mas há boas notícias para quem procura uma colocação mesmo em um momento difícil, como o atual. Existem atualmente áreas com carência de profissionais por deficiências históricas — como o segmento de saúde —, e outras que estão em transformação por causa de novas tecnologias — como marketing e finanças.

A boa notícia é confirmada pelos números oficiais. Ainda que a alta taxa de desemprego (12,3%) atinja 13 milhões de brasileiros, segundo o IBGE, foram criados 474 mil empregos formais nos últimos 12 meses no País, de acordo com o Caged.

O maior avanço em postos se deu no Sudeste (227 mil), e proporcionalmente o maior crescimento ocorreu no Centro-Oeste (+1,93%) e no Sul (+1,48%). “O mercado é um organismo que responde às demandas da sociedade”, diz Ricardo Basaglia, diretor geral da companhia de recrutamento Michael Page.

Para ele, a tecnologia vem transformando todas as funções, e não só as ultraqualificadas. Um exemplo é a saúde , que passa por um momento de consolidação na gestão de hospitais, laboratórios e equipamentos médicos. Outro é o varejo, em que o ambiente digital era um diferencial, e hoje passou a ser uma questão de sobrevivência. A era do marketing offline também ficou para trás.

As mudanças ocorrem em várias áreas. “As multinacionais acham que é fácil contratar por causa da grande base de desempregados. Mas a resposta não está ligada aos números. A qualificação da mão de obra não aconteceu. Quando começou a retomada, os mesmos problemas de antes da crise voltaram”, diz Raphael Falcão, diretor da Hays, empresa de recrutamento e seleção que atua em 33 países.

“O ponto positivo é que o mercado de forma geral está mais aberto. É o que acontece com tecnologia, em que se busca um perfil comportamental adequado, e não só técnico.” Segundo ele, o Rio de Janeiro está vivendo um “boom” de petróleo e gás. Em São Paulo, há uma demanda enorme para profissionais bem formados com conhecimento de marketing, principalmente de ferramentas digitais.

“Outra área de destaque é o RH, que precisa orquestrar os novos profissionais. Não existem mais os longos ciclos das marcas nas empresas. O RH é peça fundamental para catalisar a mudança da sociedade, como diversidade. É o primeiro a ser impactado. Deixa de ser assistencialista e precisa ter visão de performance.”

Agronegócio e tecnologia

No agronegócio, o Centro-Oeste registrou um aumento no número de empregos de 11,2% entre 2012 e 2018, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Esalq-USP. Há uma oferta crescente nesse setor, que está espalhado por muitas atividades e municípios do interior, diz José Pastore, professor da FEA-USP e presidente do Conselho de Emprego e Relações do Trabalho da FecomercioSP.

“O agronegócio está diminuindo a geração de empregos diretos, porém está estimulando uma franja de empregos de comércio e serviços”, afirma. “O crescimento do PIB das cidades do interior que têm agronegócio pujante foi bem acima da média nacional e das regiões metropolitanas.”

Indústria

As montadoras — que representam o segmento com a maior cadeia industrial — estão em processo de retomada , após a crise. A Volkswagen é um exemplo. Está em meio à maior ofensiva de produtos de sua história, com 20 lançamentos até 2020.

Sua fábrica de São José dos Pinhais (PR) recebeu R$ 2 bilhões para fazer o primeiro SUV nacional. Foram contratadas 60 pessoas e o segundo turno de produção da unidade foi retomado, depois de uma suspensão de 18 meses.